Sobredotado

Walk&Talk – ENTREVISTA às mentes por detrás do Festival

Artigo escrito por Tjda na data de 19/Set/2011
walk-e-talk-azores

O Festival de arte urbana Walk&Talk decorreu entre 30 de Julho e 15 de Agosto na região autónoma do arquipélago dos Açores. Uma região muitas vezes esquecida por nós continentais, mas que provou com esta iniciativa “que é possível descentralizar a cultura” com algo inovador, bem-intencionado e cheio de motivação.

Numa iniciativa de Mobilização e Contribuição, palavras de ordem no Festival, foram recrutados cerca de três dezenas de artistas nacionais e estrangeiros, para recriar as ruas de Ponta Delgada, em São Miguel. A ideia foi transformar a cidade e toda a região num museu aberto, dinamizando os seus espaços arquitectónicos e culturais com peças de arte urbana, posicionando a “Região Autónoma dos Açores como um palco cultural de referência, multidisciplinar e contemporâneo.”

Foi então assim criado na capital insular um trajecto por uma autêntica galeria a céu aberto, onde os artistas convidados ofereceram à cidade toda o seu engenho e arte. Arte essa estilizada consoante cada artista, obviamente, mas mantendo sempre a identidade da região em cada peça. Este palco único e privilegiado, tanto para os artistas como para o público, teve ainda o ponto forte de ser possível a comunicação entre o artista e a população local, que pode desfrutar de todo processo criativo que levou à transformação dos espaços de Ponta Delgado.

Nessa medida, foi contrariado o provérbio popular “Muros brancos, povo mudo”, algo referido no site do Walk&Talk, motivando-se assim os açorianos a participar e a interagir com todo o aparato que o comboio de artistas que por lá passou causou com o colorir e mistificar dos muros da cidade.

Sem muito mais a acrescentar deixo-vos uma entrevista feita pelo Sobredotado às mentes por detrás da organização do Festival Walk&Talk, deixando-lhes a eles um muitíssimo obrigado!

Walk&Talk na web:

Site: http://walktalkazores.org/

Facebook: http://www.facebook.com/walktalkmovement

Sobredotado: Primeiro de tudo, dêem-se a conhecer um pouco melhor. Quem são a Diana Sousa e o Jesse James?

W&T:Bonnie&Clyde! Mas falta o resto da irmandade, Rui Freitas, Dalila Couto e Marta Freitas.

Juntos criamos a ANDA&FALA Interpretação Cultural que promoveu o WALK&TALK AZORES.

Baze (FR)

Arm Collective (PT)

Sobredotado: Como nasceu todo o conceito do Walk&Talk?

W&T: A ideia surgiu de um devaneio. Devaneio no sentido em queríamos criar um projeto com mensagem, que gerasse confronto suficiente para se afirmar como um momento importante para todos que entrassem em contacto com esse “evento”.

O facto de irmos viver para outros espaços ajudou a gerar confrontos com novas ideias e conceitos, e uma das coisas foi a arte urbana e forma como ela intervêm no espaço.

Fomos entrando cada vez mais no universo streetart, desde a expressão ao movimento, a procurar artistas e a avaliar estilos, conteúdos, projetos… acabou por se tornar numa pesquisa constante.

Depois da pesquisa, vem a vontade de partilhar, e daí o conceito/movimento WALK&TALK. Como açorianos, fez todo o sentido desenvolver o projeto num local que vive sobre a sua insularidade. Queríamos provar que é possível descentralizar a cultura e que este género de acontecimentos adquirem outro valor quando desenvolvidos num espaço com carências a esse nível.

Ponta Delgada como a maior cidade açoriana, por ter mais massa critica e paredes a necessitar de Intervenções, foi o palco escolhido para acolher o museu ao livre.

Carneiro (PT)

Entrevista a Carneiro: http://www.sobredotado.com/index.php/entrevistas/writers/383-entrevista-carneiro

Sobredotado: Porquê o nome de Walk&Talk?

W&T: Movimento e diálogo. Quando um percurso ou espaço oferece-nos razões para aguçar o nosso sentido critico, acaba por nos envolver num certo processo criativo, porque provoca acções e reações, transformando-as em interpretações e opiniões. É introduzir algo no monótono roteiro de prédios idênticos, sinais de transito e publicidade. Anda por aí, descobre, pensa e fala sobre o que viste.

Eime (PT)

Entrevista a Eime: http://www.sobredotado.com/index.php/entrevistas/street-artists/388-entrevista-eime

Uma opinião de Eime (PT) quanto ao W&T:

“Falar de Walk&Talk é falar de VONTADE e INICIATIVA.
Como qualquer primeira edição, existe erros e pequenos pontos negativos mas é ao passar por eles que podemos corrigir. Neste caso havia logo muita coisa positiva a favorecer o festival, desde a belíssima ilha de S.Miguel, o pessoal da organização (gente jovem com VONTADE), os artistas convidados, bom tempo..entre outras tantas coisas.
Como sou estreante nesta andanças de festivais/eventos de arte urbana, não sei comparar com o que se faz lá fora, no estrangeiro mas, sentir vontade de ficar, na altura de vir embora, já resume bastante.
É destas INICIATIVAS que Portugal precisa e de gente que, apesar de não estar diretamente ligada à arte urbana, tem necessidade de mostrar e ver explodir novas ideias e energias.”

Sobredotado: Que mensagem o Walk&Talk foi concebido para passar?

W&T: Transcrevemos o que estava no projecto inicial “O provérbio “Muros brancos, povo mudo” é exemplificativo desta realidade que se pretende alterar: queremos muros com cor e povo participativo, que motivem a interacção e o respeito com o espaço que nos envolve. A cidade torna-se assim, o palco perfeito para um museu ao ar livre – global – onde todos contribuem, participam e comunicam.”

Escif (ES)

Sobredotado: “Corre e berra a palavra!” Qual o significado desta frase?

W&T: É uma hipérbole de WALK&TALK, e funcionou como uma apelo às pessoas para a pertinência que o projeto apresentava à cidade. Um grito à pro-actividade e atitude. Vivemos numa sociedade amorfa e alienada de vários assuntos sociais, políticos e culturais extremamente importantes, e o objectivo do festival era contrariar essa tendência, e “obrigar” as pessoas a pensarem, a dialogarem e questionarem-se sobre o que as rodeia. Reage.

FAKE (NL)

Sobredotado: Foi algo mais que a vossa naturalidadeque vos levou à escolha da cidade de Ponta Delgada como palco do Festival?

W&T: Como referimos anteriormente, quisemos descentralizar. Tendo em conta os objetivos do WALK&TALK, só faria sentido desenvolvermos o projeto numa cidade onde a arte urbana não fosse uma realidade muito presente, e onde houvesse claras dúvidas relativamente à dicotomia arte/vandalismo. Queríamos desmistificar estes termos.

E Ponta Delgada reunia essas condições para gerar esta discussão, até porque, não se tratando de um assunto recorrente, a população local não tinha muitas ideias pré-concebidas sobre o assunto. Permitiu-nos introduzir o assunto e gerar uma discussão in loco, há medida que as intervenções iam surgindo

Hium (PT)

Interesni kazki (UA)

Sobredotado: ” Walk&Talk, o primeiro festival de arte urbana(…)”. Porquê o foco na arte urbana?

W&T: A arte nos Açores tende e ter dois extremos: o popular e o elistista. Faltava um meio termo, algo que conseguisse criar curiosidade em vários públicos. E a arte urbana (entenda-se a arte que está no espaço urbano) tem essa vantagem porque é grátis e acessível a todos: é democrático.

A sensação de pertença também é maior, pelo que a curiosidade e a vontade de interpretação são intensificadas. As pessoas quando não são obrigadas a a determinada situação usufruem muito mais dela, daí a insistência em criar um “museu” ao ar livre onde as pessoas são confrontadas com intervenções artísticas de uma forma ocasional.

João Verde (PT)

Kano (PT)

Miolo (ES)

Sobredotado: Como se deu a escolha dos artistas?

W&T: Relativamente aos artistas, um dos pontos essenciais era a diversidade do line-up, em termos de linguagem gráfica, contextos artísticos, proveniência dos artistas, e a velha dicotomia notariedade vs novos talentos, (açorianos, nacionais e internacionais = mundividência). Tendo em conta esses factores, fomos escolhendo os artistas que mais gostávamos.

A contra-partida era participar no walk&talk com base em contribuição e mobilização, transformando isto em algo de todos. E aos poucos fomos reunindo os 30 artistas. Tendo o line-up definido, distribuímos os diferentes géneros de intervenção por toda a cidade, aos quais o público poderia se relacionar de uma forma muito própria, consoante os seus gostos.

Entrevista a Oker: http://www.sobredotado.com/index.php/entrevistas/writers/346-entrevista-oker

Sobredotado: Todos os apoios e patrocínios foram difíceis de obter?

W&T: O apoio da Direção Regional da Juventude foi sem duvida determinante. Foi a primeira entidade estatal a demonstrar interesse pelo WALK&TALK e pelos objectivos que defendíamos, acabando por nos apoiar a 100%. Isso foi muito importante para ganharmos credibilidade junto de outras instituições como a Câmara Municipal de Ponta Delgada, Direção Regional do Turismo e várias entidades privadas que também se juntaram ao movimento e tiveram um papel essencial.

Pantónio (PT)

Pedro Batista (PT)

Sobredotado: Na vossa opinião, algum pormenor que tenha tornado o festival diferente de outros do género?

W&T: O que tornou o WALK&TALK diferente foi o espaço onde se desenvolveu: Ponta Delgada, cidade praticamente virgem em arte urbana, numa ilha paradisíaca no meio do Atlântico! Mas isso é apenas a primeira parte da equação. Mais importante foi termos conseguido reunir um bom line-up de artistas, boas paredes, uma exposição colectiva e cativado o público local para esta problemática. É o essencial. As intervenções foram espalhadas por toda a cidade o também que garantiu uma outra dinâmica e dimensão à iniciativa.

Phlegm (UK)

Sobredotado: Como objectivo têm também a ideia de levar o Walk&Talk a novos lugares?

W&T: Sim e porque não. Contudo, O WALK&TALK é um festival que nasceu nos Açores, tem e terá a sua importância por se desenvolver lá. É um facto assumido. Como é óbvio terá que se moldar aos tempos e assumir novas perspectivas e porventura novos espaços. Para já temos nova edição do WALK&TALK AZORES em 2012 em Ponta Delgada e arredores.

Smile 1Art (PT)

Entrevista a Smile 1Art: http://www.sobredotado.com/index.php/entrevistas/writers/368-entrevista-smile

Vanessa Teodoro (PT)

Sobredotado: Que dificuldades surgiram durante a organização de todo o evento? Alguma situação caricata?

W&T: Dificuldade existem sempre, mas como diz o outro, para cada problema arranja-me 2 soluções. E foi segundo este lema que a nossa equipa trabalhou durante o festival. Há sempre situações que não foram pensadas. Foi a nossa primeira edição, mas podem ter a certeza que cuidar de 30 artistas ensina-nos muita coisa!

Vhils (PT)

Sobredotado: Saldo positivo?

W&T: Sim! A receptividade da população local foi surpreendente. Antes de começar o WALK&TALK, apesar dos bons indícios que estávamos a ter e da aparente curiosidade das pessoas e dos media, era uma incógnita a reação à introdução de arte no espaço público. A verdade é que a meio do festival já tínhamos pessoas a oferecerem paredes para os artistas pintarem!!

Gerou-se uma conversa muito saudável à volta da arte urbana, dos artistas preferidos, das intervenções pela cidade, da exposição colectiva na Academia das Artes… a população local estava curiosa e acompanhava o trabalho dos artistas. Todas os dias haviam novidades, porque ora uma parede ficava concluída, outra estava a começar… E para nós foi brutal acompanhar os artistas, perceber processos criativos e partilhar coisas.

Woosy + Kez (GR)

Sobredotado: Últimas palavras… partilhem-nas.

BOM SENSO E ATITUDE. Obrigado a todos os que ajudaram e aos artistas que ofereceram a sua arte à cidade! Ponta Delgada mudou!

30 – Artistas

Exposição colectiva com trabalhos de vários artistas

37 – intervenções na rua

1200 – latas de spray

380 – litros de tinta acrílica

697 – quilómetros nas rondas artísticas com os 3 carros W&T

34 – entidades (publicas e privadas) envolvidas na organização

±MaisMenos (PT)

Exposição colectiva

Arm Collective (PT)

Corleone (PT)

Iurgen (PT)

Kruella D’Enfer (PT)

Phomer (PT)

Mulheres de capote

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This video is made with my iPhone with a timelaps App.

Music is by Underworld

www.fakestencils.com

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